é estranho como tudo vai acontecendo de repente e você se dá conta de que diversos sentimentos diferentes passaram pelo seu ser em um só dia. e todos de uma forma tão intensa que os momentos não se ligam, e só agora, no fim do dia, é que passa um filminho na cabeça e as coisas são sentidas de novo.
minha manhã: acordei cedo pra me vacinar. é. e quem me conhece sabe o pânico que eu tenho de agulhas. e a primeira vez em que eu NÃO chorei pra fazer um exame de sangue foi nessas férias, veja só. mas hoje não doeu. tudo bem que teve todo um escândalo inicial e eu me encolhi junto ao meu pai e apertei os olhos; mas não doeu, não senti nada. à mocinha que aplicou a vacina: muito obrigada.
minha tarde: doces e companhia extremamente agradável. um dia eu tentarei dizer tudo que essa pessoa representa pra mim. ou como eu não consigo viver sem ela. ou de como é fácil contar tudo, e rir, e chorar, e se sentir sempre abraçada e próxima. digo tentarei porque acho que não dá pra transformar em palavras, parece simplificar demais uma amizade que dura há anos e permanece forte depois de tempo, distância, mudança. o fato é que hoje foram horas de conversas e risos e crises e torta doce. e não importa o fato da minha amiga me chamar de "monstra" ou "formiga gigante" só por eu comer um pouquinho demais uns docinhos - ela pode. bichara, eu te amo.
minha noite: mais cafés e tortas doces com os meus pais. e nunca um engarrafamento foi tão divertido: ficar no carro presa no trânsito com música e conversas - sem preocupações e horários definidos - foi legal. e a noite ainda trouxe mais algumas surpresinhas em conversas. mas sei lá, não é bom esperar coisas das pessoas, eu tenho me decepcionado muito. enfim.
passagem de volta comprada, coisas pra organizar em breve.
31.3.10
28.3.10
o garoto na esquina.
"Yesterday on the street I passed the 100% girl," I tell someone.
"Yeah?" he says. "Good-looking?"
"Not really."
"Your favorite type, then?"
"I don't know. I can't seem to remember anything about her - the shape of her eyes or the size of her breasts."
"Strange."
"Yeah. Strange."
"So anyhow," he says, already bored, "what did you do? Talk to her? Follow her?"
"Nah. Just passed her on the street."
o conto inteiro: www.mat.upm.es/~jcm/murakami-perfect.html
"Yeah?" he says. "Good-looking?"
"Not really."
"Your favorite type, then?"
"I don't know. I can't seem to remember anything about her - the shape of her eyes or the size of her breasts."
"Strange."
"Yeah. Strange."
"So anyhow," he says, already bored, "what did you do? Talk to her? Follow her?"
"Nah. Just passed her on the street."
o conto inteiro: www.mat.upm.es/~jcm/murakami-perfect.html
27.3.10
home sweet home.
uma semana inteirinha sem aula, santa semana santa. e bate logo a vontade de ir pra casa, respirar aliviada (e não ter que sair pra comprar coisas, arrumar coisas, fazer comida, lidar com dinheiro, pegar transporte público etc). tudo bem que eu gosto daqui - e o número de coisas legais pra se fazer é grande, mas tá chovendo muito, estou doente, não tenho dinheiro e não tenho carro -, mas ir pra casa é, bem, ir pra casa. é ter o meu quarto, os meus pais, os meus filmes, os meus amigos. tá certo que eu preciso parar de me enganar: eu não vou poder sair, tenho zilhões de coisas pra estudar, e o tempo é curto.
mas é feliz mesmo assim.
mas é feliz mesmo assim.
26.3.10
sobre confusão.
tem uma coisa que eu odeio e que vive em mim: confusão. odeio me sentir confusa. e eu perco o chão, o léxico, a noção das coisas. e não sei o que fazer. enfim, um ser confuso. tenho uma vontade enorme de pensar sobre tudo e encontrar soluções fáceis, rápidas, lógicas - mas isso é o que menos acontece. saber se fico ou se volto, se vou ou não, se quero ou não quero, se leio ou não leio, se falo ou não, se grito ou deixo passar. as coisas podiam ser tão mais fáceis! e talvez sejam, mas eu faço questão de complicar. ou talvez não seja fácil mesmo e o meu comportamento seja completamente normal. ou talvez...
ah, não sei. estou confusa.
ah, não sei. estou confusa.
25.3.10
preciso de uma capa de chuva. amarela. *
um fato: estou gripada. e o mais irritante é estar gripada em pleno calor rio-quarenta-graus e ver todo mundo bem. mas o outro fato é que são paulo é uma cidade confusa e o meu organismo fica confuso também, ele não consegue entender os trinta e três graus num momento e dezoito no outro. é muito psicodélico. e enfim, fiquei gripada. hoje já estava até bem, em meio aos trinta graus. mas eis que chove. e chove muito, não percebi a preparação pra chuva. quando vi, já havia raios e trovões, semáforos que não funcionavam, ruas alagadas, trânsito caótico. eu até gosto de chuva - mas quando estou em casa, sem precisar sair e tudo mais. na prática, chuva me faz correr pelas ruas com uma mochila pesada.
e hoje, esperando pelo ônibus na paulista, vi a confusão na avenida, os carros parados, a impaciência, os xingamentos, as pessoas que passavam correndo pra todos os lados. o de sempre. mas hoje eu também vi sorrisos. pessoas que sorriam pra mim quando eu simplesmente levantava a sombrinha pra que elas pudessem passar tranquilamente pela calçada; pessoas que chegavam ao meu lado e esperavam a coragem de continuar correndo; pessoas que esperavam e, depois de algum tempo, compravam um guarda-chuva e sorriam: "é, não tem jeito, vou assim mesmo". e todos os sorrisos - e mais uma ligação que fiz pra minha mãe enquanto o ônibus não passava, pra papear - me deixaram mais feliz. seria uma espécie de, hum, descanso na loucura, como disse alguém (seria guimarães rosa?).
chego em casa, pés molhados. e encontro paz no chocolate.
*amarela, claro. dançando e cantando na chuva. e eu fico feliz de compartilhar tal desejo com mais pessoas - ainda mais quando são pessoas muito legais que fazem o tempo passar rapidinho com conversas agradáveis.
e hoje, esperando pelo ônibus na paulista, vi a confusão na avenida, os carros parados, a impaciência, os xingamentos, as pessoas que passavam correndo pra todos os lados. o de sempre. mas hoje eu também vi sorrisos. pessoas que sorriam pra mim quando eu simplesmente levantava a sombrinha pra que elas pudessem passar tranquilamente pela calçada; pessoas que chegavam ao meu lado e esperavam a coragem de continuar correndo; pessoas que esperavam e, depois de algum tempo, compravam um guarda-chuva e sorriam: "é, não tem jeito, vou assim mesmo". e todos os sorrisos - e mais uma ligação que fiz pra minha mãe enquanto o ônibus não passava, pra papear - me deixaram mais feliz. seria uma espécie de, hum, descanso na loucura, como disse alguém (seria guimarães rosa?).
chego em casa, pés molhados. e encontro paz no chocolate.
*amarela, claro. dançando e cantando na chuva. e eu fico feliz de compartilhar tal desejo com mais pessoas - ainda mais quando são pessoas muito legais que fazem o tempo passar rapidinho com conversas agradáveis.
24.3.10
sobre cronopiar.
começa que eu faço letras, mas não escrevo - e isso é extremamente surreal entre toda a galere que escreve horrores e lê e entende de tudo e goosnargh. é problema também fazer um journal de lecture pra matéria do francês já que eu entro em pânicos diante de uma folha em branco e fico pensando no que os outros vão achar lendo aquilo que é tão - queria até que fosse só - meu. e é pra passar o tempo digitando em momentos de grande tédio.
enfim, foi feito o blog.
*goosnargh: usado no Guia do Mochileiro pra quando se sabe que é necessário dizer algo, mas não se sabe o quê. aqui, usado como sinônimo de blá blá blá e caixa de fósforos.
enfim, foi feito o blog.
*goosnargh: usado no Guia do Mochileiro pra quando se sabe que é necessário dizer algo, mas não se sabe o quê. aqui, usado como sinônimo de blá blá blá e caixa de fósforos.
a terapia.
Um cronópio se forma em Medicina e abre um consultório na rua Santiago del Estero. Logo chega um doente e conta como há coisas que doem e como de noite não dorme e de dia não come.
- Compre um buquê grande de rosas - diz o cronópio.
O doente se retira surpreso, mas compra o buquê e fica bom instantaneamente. Cheio de gratidão corre para o cronópio e além de pagar a consulta, lhe dá de presente, fino testemunho, um belo buquê de rosas. Apenas ele sai, o cronópio cai doente, sente dores por todos os lados, de noite não dorme e de dia não come.
e é por me sentir cronópio que faz sentido, e fica.
acho que preciso de terapia.
- Compre um buquê grande de rosas - diz o cronópio.
O doente se retira surpreso, mas compra o buquê e fica bom instantaneamente. Cheio de gratidão corre para o cronópio e além de pagar a consulta, lhe dá de presente, fino testemunho, um belo buquê de rosas. Apenas ele sai, o cronópio cai doente, sente dores por todos os lados, de noite não dorme e de dia não come.
(Cortázar)
e é por me sentir cronópio que faz sentido, e fica.
acho que preciso de terapia.
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