palpitação.
15.6.11
da adélia prado,
palpitação.
18.2.11
“– Ri-se da minha celulite?
– Perdão?!
– A celulite! Sou uma mulher comum. Também eu sofro de celulite.
– Não, não. Não vi celulite nenhuma, só vi as pernas.
– Ainda bem. É a diferença entre um otimista e um pessimista. O pessimista só teria reparado na celulite. Estou um horror, envelheço. Também tenho celulite na barriga. Estrias e celulite.
– Vejo apenas o umbigo, querida. Um umbigo maravilhoso. Eu respeito muito os umbigos. Na tradição africana, enterra-se o cordão umbilical, logo após o nascimento de uma criança, como forma de assegurar que a mesma permanecerá ligada ao chão dos seus antepassados. Olho para um umbigo, para um umbigo perfeito como o teu, e vejo o princípio do mundo.”
Milagrário Pessoal (José Eduardo Agualusa)
“O amor, ainda jovem e pouco seguro de si, se fortifica com o uso; alimente-o bem e, com o tempo, ele se tornará sólido. Esse temido touro, você tinha o costume de acariciá-lo quando era bezerro; esta árvore, à sombra da qual você se deita, não era no início senão uma fina haste; pequeno, em sua nascente, o rio aumenta enquanto avança, e, durante seu curso, recebe a água de mil afluentes. Faça com que sua bela se habitue com você; não existe nenhum elo tão poderoso quanto o tecido pelo costume; para criá-lo, não recue diante das dificuldades. Que sua amiga o veja sempre; que ela o escute sempre; que a noite e o dia mostrem o seu rosto para ela. Quando você tiver muitas razões para crer que ela sente saudades suas, (…) deixe-a descansar um pouco; um campo descansado retribui largamente o que lhe confiamos (…). Fílis demonstrou ter por Demofoonte uma chama mais moderada, mas ela se inflamou quando ele levantou vela. Penélope vivia atormentada pela ausência do prudente Ulisses; aquele a quem você amava, o neto de Filarco, ó Laodâmia, estava ausente. Mas é mais seguro que sua ausência seja curta: com o tempo, as saudades diminuem, o ausente não existe mais, um novo amor se introduz.”
A Arte de Amar, ensaio de Ovídio
19.1.11
(M. Duras)
no hay banda.
peso leve, insustentável. ninguém me disse o que fazer quando acontece o tempo na espera sem fim. essa ausência de uma - simples, que seja - combinação sonora atravessa qualquer barreira física abstrata e atinge em cheio um lugar tão determinadamente meu. tão desconhecidamente meu. fatal, banal. sentimental.
e tudo isso não é nada além de palavras no silêncio.