27.4.10

where the wild things are.

finalmente vi "onde vivem os monstros". e realmente me deixou feliz - feliz no sentido de ter gostado bastante do filme, porque eu reagi com muitas lágrimas a tudo que passou na tela, he.

pra quem não sabe: "onde vivem os monstros" é um livrinho infantil ilustrado, escrito em 1963 por maurice sendak. conta a história de um garotinho que apronta e é colocado de castigo em seu quarto. nisso, ele resolve viajar e acaba chegando à terra dos monstros. lá se diverte, capta a benevolência dos monstrinhos, mas sente falta de um lugar "onde as pessoas gostem dele de verdade" e acaba voltando pra casa. é isso. poucas palavras, poucas páginas.

o filme tem, basicamente, a mesma história. só que desenvolve bem mais a confusão do pequeno garotinho vestido de lobo: sem a atenção da irmã, sem ter com quem brincar, sem ser compreendido pela mãe, sem milho de verdade pra comer.

essa adaptação fala sobre amadurecimento, sobre crescer, entender algo do mundo adulto. e, bem, essa transformação não é nada fácil - ainda hoje eu me sinto um pouco perdida - e é daí que surgem os conflitos da trama. mas tudo de uma forma muito delicada, bonita e cof-depressiva-cof.


e, no fim, espera-se que ninguém fale mal dos monstros na hora de voltar pra casa.

23.4.10

das verdades.

"Estar contigo ou não estar contigo é a medida de meu tempo"

(Borges)


mas não deveria ser.

16.4.10

sou uma outra.

e aí de repente, quando o tempo inteiro ela se preparou pra ver filmes por todo o dia e não pensar em vida real: o dvd não passa, o arquivo não abre, e qualquer outra complicação tecnológica acontece (afinal, tecnologia nunca foi o seu forte). e ela pensa nas relações entre as pessoas, como sempre. e acaba ficando triste com o que percebe. como quase sempre.

e de repente ela lembra de uma conversa alegre sobre filmes. alguém diz que um amigo não gostou do final de a igualdade é branca e ela diz que bem, é meio indefinido mas é mais legal assim, e lembra de outro com a mesma atriz, antes do pôr-do-sol, que também não teve um final definido pra quem assistia, mas ah, você não acha que eles ficam juntos? claro que ficam, óbvio. e, embora o filme agora seja do lynch, ela relembra a conversa do almoço e os diálogos mais tocantes do filme aparecem em sua mente. talvez seja o embalo dos roteiros confusos numa sexta à noite. ou talvez a mocinha seja mesmo confusa até a medula e os pensamentos vivam misturados por aí.

mas não é complicado? o universo pode conspirar contra ela, que não acredita em astrologia mas veja o perfil de peixes, nossa, é muito igual, por que logo esse, tão problemático? e eu digo olha, amiga minha, não é isso, é a vida mesmo. e parece que você não sabe lidar com esse grande acontecimento quando ele não se passa na sua cabeça. ou naquele mundinho tão especial que você construiu e onde sempre dá uma passadinha quando tá num ônibus, num metrô, na sala de aula, no seu quarto, nas caminhadas solitárias.

e então ela percebe que sim, não consegue lidar com tudo isso. e percebe que esse algo tão sem nome dentro dela - que parece um grito sufocado, liberado bem aos poucos em lágrimas tímidas quando tenta explicar e dividir com alguém - vai continuar. e ela já avisa meio sem jeito: desculpa se eu chegar chorando e quiser falar e você perceber que é a mesma coisa, eu não quero ser chata repetitiva boba; eu só confio e me acho segura e confortável pra desabafar, não precisa dizer nada, sabe, não precisa, é só ouvir mesmo e me dar um abraço bem forte. vai passar por um momento. assim como talvez passe por agora.

e então essa outra, amiga minha, vai ler o seu livro. aquele que ela pegou por vontade, não por ser obrigada a ler. aquele que a ensinou um "ah, caralho" pra quando a vida chateia.

11.4.10

"aqui no se rinde nadie, carajo!"

depois de caminhar pela paulista (paulista, te amo) e voltar com mil papéis pra casa - sim, eu coleciono postais e adoro pegar jornais e papéis com programações pela rua -, meu ar é outro. e o objetivo agora é mudar, deixar pra lá, esquecer, estudar. ou pelo menos tentar de verdade fazer tudo isso. minha terapia começou. é com amigos. é em casa.

"Solução melhor é não enlouquecer mais do que já enlouquecemos, não tanto por virtude, mas por cálculo. Controlar essa loucura razoável: se formos razoavelmente loucos não precisaremos desses sanatórios porque é sabido que os saudáveis não entendem muito de loucura. O jeito então é se virar em casa mesmo, sem testemunhas estranhas. E sem despesas."
(Lygia F.)

5.4.10

por sedex 10.

querida vida,

escrevo pra pedir um pouco de facilidade e felicidade. nada de crises, de confusões, de falta de concentração, de estudos difíceis, de falta de tempo, de saudade doída. mais amizade, mais sol laranja-frio com vento, mais abraços.

espero que amanhã de manhã você já tenha recebido essa carta e que tudo esteja bem.

3.4.10

um diário com rousseau.

"[...] havia famílias, mas não havia nações; havia línguas de todo um povo; havia casamentos mas não havia amor. Cada família bastava-se a si mesma e perpetuava-se unicamente através de seu próprio sangue [...]. Não havia nesse ponto nada de suficientemente interessante para desatar a língua, nada que pudesse arrancar com frequência os acentos das paixões ardentes para transformá-las em instituições [...]. Numa palavra, nas regiões amenas, nos terrenos férteis, foi necessário todo o ardor das paixões agradáveis para começar a fazer com que os habitantes falassem: as primeiras línguas, filhas do prazer e não da necessidade, usaram por muito tempo a bandeira de seu pai; seu acento sedutor somente desapareceu com os sentimentos que o haviam originado, quando novas necessidades, introduzidas entre os homens, forçaram cada um a pensar somente em si mesmo e a fechar seu coração dentro de si."

(Rousseau - Ensaio sobre a origem das línguas)

mensagem para você

que senta ao meu lado no avião:

por favor, se você é um desconhecido, não me conte detalhes da sua vida, da sua viagem de férias, não me pergunte coisas demais, não converse demais, não me mostre fotos na sua máquina. eu só quero ler, dormir e olhar pro chão.

grata pela atenção,

jéssica.