16.4.10

sou uma outra.

e aí de repente, quando o tempo inteiro ela se preparou pra ver filmes por todo o dia e não pensar em vida real: o dvd não passa, o arquivo não abre, e qualquer outra complicação tecnológica acontece (afinal, tecnologia nunca foi o seu forte). e ela pensa nas relações entre as pessoas, como sempre. e acaba ficando triste com o que percebe. como quase sempre.

e de repente ela lembra de uma conversa alegre sobre filmes. alguém diz que um amigo não gostou do final de a igualdade é branca e ela diz que bem, é meio indefinido mas é mais legal assim, e lembra de outro com a mesma atriz, antes do pôr-do-sol, que também não teve um final definido pra quem assistia, mas ah, você não acha que eles ficam juntos? claro que ficam, óbvio. e, embora o filme agora seja do lynch, ela relembra a conversa do almoço e os diálogos mais tocantes do filme aparecem em sua mente. talvez seja o embalo dos roteiros confusos numa sexta à noite. ou talvez a mocinha seja mesmo confusa até a medula e os pensamentos vivam misturados por aí.

mas não é complicado? o universo pode conspirar contra ela, que não acredita em astrologia mas veja o perfil de peixes, nossa, é muito igual, por que logo esse, tão problemático? e eu digo olha, amiga minha, não é isso, é a vida mesmo. e parece que você não sabe lidar com esse grande acontecimento quando ele não se passa na sua cabeça. ou naquele mundinho tão especial que você construiu e onde sempre dá uma passadinha quando tá num ônibus, num metrô, na sala de aula, no seu quarto, nas caminhadas solitárias.

e então ela percebe que sim, não consegue lidar com tudo isso. e percebe que esse algo tão sem nome dentro dela - que parece um grito sufocado, liberado bem aos poucos em lágrimas tímidas quando tenta explicar e dividir com alguém - vai continuar. e ela já avisa meio sem jeito: desculpa se eu chegar chorando e quiser falar e você perceber que é a mesma coisa, eu não quero ser chata repetitiva boba; eu só confio e me acho segura e confortável pra desabafar, não precisa dizer nada, sabe, não precisa, é só ouvir mesmo e me dar um abraço bem forte. vai passar por um momento. assim como talvez passe por agora.

e então essa outra, amiga minha, vai ler o seu livro. aquele que ela pegou por vontade, não por ser obrigada a ler. aquele que a ensinou um "ah, caralho" pra quando a vida chateia.

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